Máfogopegue!

Blog generalista sobre as relexões momentâneas de uma rapariga. Todo e qualquer assunto que me possa passar pela cabeça, poderá aparecer aqui.

Segunda-feira, Novembro 27, 2006

O mau génio

O meu mau-génio é bem conhecido das pessoas que me são próximas. É também uma característica familiar hereditária, já que o meu pai sofre do mesmo mal. Somos geralmente muito afáveis e sorridentes, mas quando a coisa corre mal… até a casa vem abaixo.
Durante a minha vida, aconteceram-me ocasionalmente ataques de mau génio, nos quais costumo dizer coisas horríveis (aqui entre nós, que geralmente não são mentira nenhuma) ou até esbofetear a pessoa em questão. Geralemente, depois arrependo-me, mas entretanto… já o mal está feito.
Recentemente, dei uma sapatada num amigo que o fez atingir uma parede com as costas.
E hoje…
Bem, hoje, como em todos os dias no meu trabalho, era necessário chamar uma pessoa de entre várias deignadas para cumprir uma tarefa. A pessoa que eu devia chamar hoje, já de há vários dias que vinha não atendendo as minha chamadas quando eu ligava, porque já sabia que eu tinha trabalho para lhe dar. Hoje, fui buscar essa pessoa à sua sala, mas quando chego lá, a dita pessoa, pura e simplesmente, levanta-se e vai-se embora! Tão simples como isso! E deixou-me ali especada com cara de parva!

A zanga explodiu. Fui ter com um chefe e expus-lhe a situação. Pediu-me que fizesse o mesmo por escrito, o que fiz. Então, e como ainda estava o trabalho por fazer, chamei outra pessoa para tratar disso. E qual não é a minha surpresa quando a dita primeira pessoa me liga, num tom declaradamente malcriado, a perguntar porque é que eu tinha chamado a outra!

Bem, até me passei. Disse-lhe duas ou três verdades e respondi-lhe que se ela tivesse problemas, falasse com o meu chefe. Entretanto, já voltei a fazer queixa dela e pronto. Ela que se arranje.

(Com a zanga, comecei a disparar com a minha pronúnica da Terceira. As pessoas até me diziam para eu falar mais devegar…)

Quinta-feira, Setembro 21, 2006

Odisseia

Hoje foi um dia verdadeiramente odisseico para mais de um milhão de portugueses, incluindo... eu.

A chuva que se fez sentir em todo o país, aliada à intolerável nova greve do metro (não se enganem, sou cem por cento cor-de-rosa e de esquerda e mil por cento em prol da democracia, mas isto é um abuso), tornou a vida de muitas pessoas muito complicada esta manhã. Eu sou apenas mais uma história, mas mesmo assim vou contá-la:

Esta noite dormi menos bem, preocupada que estava com a necessidade de acordar (ainda) mais cedo do que o costume para ir trabalhar. Estava naquele ponto em que não estava bem a dormir nem bem acordada, quando ouço os carros a passarem na via-rápida com o característico barulho de chão molhado. “Raios”, pensei eu, levantei-me e fui espreitar à janela – o diagnóstico não podia ser outro. Eram 6 horas da manhã, o metro entraria em greve dentro de meia hora e estava a chover.

Bem, nada que pare quem está determinado a cumprir as suas obrigações, não é? Então, fui-me vestindo e arranjando, até que oiço o barulho a chuva muito mais forte. Nova espreitadela à janela confirmou que chovia como se o mundo fosse acabar amanhã. “Lindo...” resmunguei.

Saí de casa munida de casaco, guarda-chuva e ténis Tiemberland. Ou seja, preparada para (quase) tudo. Pus pés a caminho e quado cheguei ao metro (onde estava o autocarro de substituição) já ia consideravelmente molhada, mas ainda assim, os meus heróicos ténis mantinham a batalha para me conservar o mínimo da dignidade, que é ter os pés secos, ainda que a roupa já desse para torcer.

Sentei-me no autocarro. 6:35 da manhã. O autocarro foi enchendo de pessoas com ar desesperado, encharcadas e maldizendo a sua sorte. Lembrei-me que me tinha esquecido de trazer o meu precioso livro para me entreter na viagem. “M****!”

Ao passar pelo Lumiar, os primeiro raios de sol despontavam no horizonte. Aí, alguns raios de alegria encheram os meus pensamentos: o céu pôs-se de um tom de roxo puro, lindo como eu nunca tinha visto. Uma delícia do olhar. Olhei em volta do autocarro para ver se a réstia de esperança que me tinha surgido, teria alegrado mais alguém. Mas não. As pessoas neste país vão trabalhar com cara de quem vai para a forca e nada as alegra a não ser a hora de saída do emprego.

Quase a chegar ao marquês do Pombal (a minha paragem de destino), o motorista pára o autocarro e anuncia “Última paragem!”... Eu: “Quê? Estamos ainda em plena Fontes Pereira de Melo. Não vê como chove? Temos de passar a rotunda do marquês a pé??” Ele: “Lamento, menina, este autocarro só vem até aqui...”. Ao que eu fiquei a pensar que então para isso, não dissesse que o autocarro ia até ao marquês, aquilo era mais picoas que outra coisa!

Bem, agora já não havia nada a fazer, pelo que voltei a meter pés ao caminho. Infelizmente, a chuva torrencial aliada aos carros a passar por cima dos lençóis de água e a atirá-la para cima das pessoas, não deram tréguas: os meus resistentes ténis Tiemberland perderam a guerra inglória e fiquei com os pés ensopados até aos ossos. E lá se foi a última réstia de dignidade. A minha vida dificilmente pioraria naquele momento.

Cheguei à minha empresas feita num pinto. Encharcada, ensopei o chão todo no caminho para a minha sala. Como ainda faltava 30 minutos para a minha hora de entrar, fui trocar 2 dedos de conversa com o meu chefe, que nem queria acreditar naquilo que via quando olhou para mim.

Então, no primeiro grande momento de sol do meu dia, disse-me “Estás ensopada. Não podes trabalhar assim. Vai pedir licença à manager do centro, diz-lhe que eu te dispensei e pira-te. Vai para casa e aquece-te, que vais ficar doente”.

Oh, música, melodia doce para os meus ouvidos! Alegria das alegrias, nem queria acreditar na minha sorte! Não esperei para ouvir a mesma ordem duas vezes e pus-me a andar.

Depois de nova odisseia num táxi que me custou uma hora e 15 euros para chegar a Odivelas, aqui estou eu, depois de um banho de imersão quente. Sinto-me maravilhosamente!

Se calhar amanhã ainda fico doente, mas não me interessa. Vou trabalhar nem que me arraste. Tenho que ser agradecida!

Afinal a minha Odisseia teve um final feliz. Espero que a de mais pessoas seja bem sucedida. E espero também que o Metro não ceda às exigências de trabalhadores que não olham a meios para atingir fins. Há outras formas de luta e arruinar a vida de mais de um milhão de pessoas (entre utentes do metro e pessoas que são directamente influenciadas pelo complicar do trânsito), não é coisa que se faça. Lamento, mas não é.

Segunda-feira, Setembro 04, 2006

E o dia aproxima-se…

Hoje é dia 4 de Setembro. Dentro de um mês e três dias (aaaaaiiiiiii!....), chega o dia D e a hora H, o dia da gala real mais esperada do último ano.

E eu a começar a dar em doida!

Há 500 mil pessoas à espera de alojamento no pequenito T2 em que eu vivo. Graças à ajuda preciosa de uma amiga (obrigada!), consegui reduzir o número para cerca de metade. Ainda assim, cheguei ao ponto incrível de ter de despachar o meu pai para o hotel (desculpa, pai…). Bem, nem tudo é mau, pelo menos cheguei a uma solução.

Essas 500 mil pessoas e mais outras tantas, necessitam de boleia entre paragens da dita gala. Programar carros, cravar as pessoa para levarem outras pessoas… já me estou a imaginar, no dia, vestida de noiva, aos berros do lado de fora da igreja: “Ei!!! Olha! Tu vais com aquele! Oh! E tu! Tu aí vaís com o outro!...” Meu Deus…

Valha-me a paciência das pessoas que gostam de mim e me vão ajudar nesta tarefa herculiana. Como o meu pai, que com a sua paciência de verdadeiro santo, vai até tirar férias para estar disponível para ajudar no que for preciso. Os amigos que se oferecem para ajudar no que for preciso. E o Diogo, que com a sua calma, me mantém calma a mim sem dificuldade. Sem eles, entraria rapidamente em estado de loucura total. Pronta a ir para São Rafael. Ou para o Júlio de Matos.

A adicionar a isto, tenho as tarefas “normais” que se impõem numa fase como esta, em qualquer casamento: tenho de ir experimentar o vestido de noiva, que vai ter que levar um grande aperto, já que perdi bastante peso. Tenho de ir visitar a cabeleireira para ver se o meu cabelo precisará ou não de algum tratamente pré-penteado. Tenho de garantir que as prendas para oferecer aos convidados estarão prontas a tempo e horas. Tenho de tratar do catering, escolhendo os pratos a servir. Tenho de desenhar o esquema dos lugares nas mesas e tratar para que o quadro com essa informção seja feito pela pessoa encarregada desses género de coisas. Tenho de…. tenho de… tenho de… nunca mais acaba a lista de coisas a fazer.

Há que ter coragem e calma. Este navio chegará a bom porto. Como diz a senhora das prendinhas, “Não há-de ser por falta das prendas que a menina há-de deixar de casar!”

Segunda-feira, Agosto 21, 2006

As minhas férias

Voltei, voltei… voltei de longe…

Pois é, estou de volta ao trabalho depois de 2 semanas de férias, das quais 12 dias nos Açores. Ricas férias! Sol, preguiça, dormir até tarde, festas, jantares e até família de encher a alma ou a barriga (conforme…)

Voltei com energias redobradas para enfrentar o que for preciso. Estou com boa cara, boas cores e boa disposição (opinião unânime e consensual de quem me viu pré e pós férias). A Terceira faz-me bem!

Quarta-feira, Julho 26, 2006

A necessidade é mãe de todas as ciências


Hoje surpreedi-me a mim própria.

Umas das maiores dificuldades que tenho no meu trabalho é a barreira das línguas. Embora eu fale inglês a 100%, além do português, não falo mais língua nenhuma, mas no meu trabalho, o francês e o espanhol têm feito alguma falta… principalmente o francês.

Tive três inúteis anos de francês entre o 7º e o 9º ano de escolaridade, em que tinha sempre excelentes notas, mas dos quais pouco ou nada retive. Sei conjugar os verbos “être” e “avoir” e pouco mais, o que é lamentável, pois em três anos de aulas, deveria ter retido o suficiente para, pelo menos, me desenrascar agora. Mas não.

Ainda assim, hoje, a necessidade provou de facto, ser a mãe de todas as ciências: telefonaram-me de França (e como todos sabemos, os franceses fazem tudo para não falarem inglês e quem quiser que fale francês) e não tive outro remédio senão desenrascar-me e dizer-lhes num francês abatalhoado que eu não falava francês, mas que se eles esperassem um pouco, eu iria chamar o meu colega para servir de tradutor. Pode não parecer grande coisa, mas para mim foi imenso e sinto-me muito orgulhosa. E eles perceberam! Até disseram “Certainement, mademoiselle” ou coisa que o valha!

Afinal se calhar até falo algum francês, está é escondido nos confins da memória…

Quinta-feira, Julho 13, 2006

Areias movediças


Na nossa vida cruzamo-nos muitas vezes com pântanos e areias movediças, traiçoeiras e inesperadas. As decisões que tomamos nestes momentos decidem o rumo das nossas vidas: agarramo-nos com firmeza à solidez da nossa capacidade de decisão e bom-senso? Ou deixamo-nos afundar nos nossos instintos e reações momentâneas?
As pessoas fortes são aquelas que sabem sempre como reagir com firmeza perante uma situação destas. Agarram-se à sua força e saltam da armadilha com a mesma leveza com que um gato salta de um telhado para o outro.
As pessoas fracas deixam-se afundar nos seus instintos e desejos básicos… e quando se apercebem disso, por vezes é demasiado tarde.
Quanto a mim, na hora de fazer este género de escolhas, tenho tendência a agir de cabeça quente no início, mas depois, quando acalmo, tento sempre corrigir os erros cometidos aquando das primeiras reacções. Por exemplo, tenho bastante mau-génio quando me zango, mas a zanga passa rapidamente e acaba por ser subtituida por arrependimento por ter demonstrado alguma agressividade.
Nestas alturas, quer queiramos, quer não, a melhor conselheira é a nossa cabeça e não o coração. Ouvir o coração numa altura de grande tensão, quando a cabeça diz o contrário, costuma dar mau resultado. O coração deve ser ouvido, sim, mas com calma e senso.
É preciso ter atenção para não nos afundarmos!

Terça-feira, Junho 27, 2006

A nossa selecção no mundial – O jogo contra a Holanda

Tenho, como quase todo o ser humano que se designa “português”, acompanhdo avidamente (por vezes com muito sofrimento), a presença da nossa selecção no Mundial. Já no Euro acompanhei, torci, sofri, rejubilei e acabei muito triste, mas nunca desiludida.
Neste Mundial, de novo, só tenho tido motivos para ter orgulho na nossa selecção. Primeiro, o jogo de nível médio com a Angola; depois, o “arrasar” do Irão; então, um já mais sofrido, mas ainda assim cheio de emoção, Portugal-México, e ontem, o Portugal-Holanda.
O sofrimento foi imenso (só equiparado pelo célebre jogo contra a Inglaterra no Euro 2004), mas valeu a pena. No meio de uma selecção agressiva, desorganizada e desesperada como a Holanda, com um árbitro que parecia gostar imenso de brincar às cores com os cartõzinhos que tinha no bolso, com um calor considerável e um relvado em menos bom estado, a nossa selecção brilhou pela sua categoria pura, a sua persistência, a sua garra, a sua vontade de correr e vencer pelo seu país.
Tenho muito, muito orgulho em todos os nossos jogadores: foram verdadeiros heróis num jogo de nervos e tensão.
Especialmente o meu querido Figo, claro. A sua calma, coerência e perserverança foram, mais uma vez, a espinha dorsal em que se apoiaram todos os outros jogadores.
O Cristiano Ronaldo foi “abatido” por um dos holandeses, que devia ter sido imediatamente expulso por arrasar um jogador adversário daquela maneira logo no início do jogo. Força, Ronaldo, todos sabemos que querias jogar mais, mas terás a oportunidade, pois com uma equipa assim chegaremos concerteza à final… Mas daqui até lá, ainda há muito que batalhar.
O Deco foi um verdadeiro português (tenho de admitir), aliou-se aos seus companheiros, tomando a peito as agressões e decisões injustas tanto como qualquer outro. Grande Deco!
Do nosso grande Maniche, que dizer? Esperemos que a nossa selecção possa contar com este jogador durante muitos anos ainda. Grande golo!
O Nuno Valente e o Ricardo Carvalho foram incansáveis, imbatíveis, a razão pela qual eliminámos a Holanda. Não deram hipótese, foram verdadeiros craques, que já no final de um jogo desesperante, cansados e enervados, continuavam a proteger a nossa baliza com uma garra inigualável.

Até agora, já fizémos um grande mundial. Tenho a certeza que ainda vamos fazer um muito melhor.

FORÇA SELECÇÃO! FORÇA PORTUGAL!!!