A Dalilah

Lembro-me do primeiro dia em que conheci aquela que viria a ser o cão da minha vida. Uma linda ninhada de 9 cachorros São Bernardo tinha nascido no dia 31 de Agosto de 1998. Fui vê-los quando tinham apenas 5 ou 6 dias de vida e passei a lá ir sempre que tinha oportunidade (santa paciência da criadora que me aturou…)
Os cachorrinhos cresceram e lá chegou o dia em que levaram as primeiras vacinas e eu pude ir buscar a minha menina e trazê-la para casa.
Ela cheirava horrivelmente. A criadora dava-lhes sopas de leite uma vez por dia, e a Dalilah e os irmãos, em vez de as comerem, patinhavam dentro delas, lambiam-se uns aos outros e depois rebolava-se na terra. Não lhe pude dar logo banho, porque tinha acabado de tomar as vacinas: só poderia tomar banho daí a 2 semanas.
As duas semanas passaram (graças a Deus) e a Dalilah começou a crescer. Começou a ser treinada e sempre foi de uma obediência e inteligência espantosa. “Deita! Senta! Vai para cima do passeio! Não puxa, sua cadela maluca!... Olha a trela! Queres ir passear?”
Entre vários episódios caricatos, destaco alguns:
Um dia, estávamos a passear os cães no areal, e uma senhora americana adorou a Dalilah. Fez-lhe imensas festas, entre exclamações de “Oh, what a beautiful dog! It’s a beautiful Saint Bernard!...” No meio de tanta festa, Dalilah achou que tinha de contribuir… levantou a cabeça, olhou para a senhora… e deu-lhe a mior lambidela que já vi em toda a minha vida. Resultado: a senhora ficou a escorrer baba… literalmente. Limpou-se o melhor que pode com um lencinho, enquanto ria e exclamava “Oh, how lovely, it likes me too!”
Noutro dia, a minha mãe, que era assim uma pessoa pequenina, mas adorava levar a granadlhona a passear, levou-ao ao café, como costumava, pois a Dalilah sempre adorou ir ao café e sempre se portou muito bem na esplanada. Neste café, o senhor costumava dar-lhe sempre um rissol, pois adorava ver a maneira como a gulutona engolia o rissol como se não visse comida há mais de um mês. Só que no dito dia, esqueceu-se de lhe dar o rissol. A Dalilah não fez cerimónia: entrou pelo café dentro, pôs as patas em cima do balcão e abocanhou todos os rissóis que estava numa travessa. Era o que mais faltava, não lhe darem o rissol a que ela estava habituada…
Ainda noutra ocasião, fizémos um piquenique no interior da ilha. Depois do piquenique, fomos passear em estilo corta-mato, outra coisa que a Dalilah sempre adorou fazer. Eu acabei por ficar ligeiramente para trás, por causa dos meus eternos problemas com os tornozelos fracos. A dada altura, lá um dos tornozelos cedeu e eu fiquei sentada no chão agarrada a ele. A Dalilah, que já ia bem lá à frente, sentiu que alguma coisa se passava de errado e voltou atrás. Encontrou-me e sentou-se no chão ao meu lado, aguardando pacientemente que alguém me viesse ajudar.
Mas agora tudo isto está a acabar. A minha Dalilah, a minha rica menina, a cadela mais linda e inteligente do mundo, está a morrer após doença prolongada. Depois de toda a espécie de tratamentos possíveis contra a doença que a atingiu desde o final do ano passado, a Dalilah perdeu a mobilidade na parte de trás do corpo. Não se consegue mover senão arrastando-se. Está em sofrimento. Se não fossem os remédios fortíssimos contra as dores, estaria em maior sofrimento ainda. Como último gesto de amor para com a minha grande, grande amiga, vou aos Açores no próximo fds para a levar ao vet para ser adormecida. Já não há nada a fazer. É o fim.
Adeus, minha querida menina. A dona gosta muito de ti. Para sempre.

Lembro-me do primeiro dia em que conheci aquela que viria a ser o cão da minha vida. Uma linda ninhada de 9 cachorros São Bernardo tinha nascido no dia 31 de Agosto de 1998. Fui vê-los quando tinham apenas 5 ou 6 dias de vida e passei a lá ir sempre que tinha oportunidade (santa paciência da criadora que me aturou…)
Os cachorrinhos cresceram e lá chegou o dia em que levaram as primeiras vacinas e eu pude ir buscar a minha menina e trazê-la para casa.
Ela cheirava horrivelmente. A criadora dava-lhes sopas de leite uma vez por dia, e a Dalilah e os irmãos, em vez de as comerem, patinhavam dentro delas, lambiam-se uns aos outros e depois rebolava-se na terra. Não lhe pude dar logo banho, porque tinha acabado de tomar as vacinas: só poderia tomar banho daí a 2 semanas.
As duas semanas passaram (graças a Deus) e a Dalilah começou a crescer. Começou a ser treinada e sempre foi de uma obediência e inteligência espantosa. “Deita! Senta! Vai para cima do passeio! Não puxa, sua cadela maluca!... Olha a trela! Queres ir passear?”
Entre vários episódios caricatos, destaco alguns:
Um dia, estávamos a passear os cães no areal, e uma senhora americana adorou a Dalilah. Fez-lhe imensas festas, entre exclamações de “Oh, what a beautiful dog! It’s a beautiful Saint Bernard!...” No meio de tanta festa, Dalilah achou que tinha de contribuir… levantou a cabeça, olhou para a senhora… e deu-lhe a mior lambidela que já vi em toda a minha vida. Resultado: a senhora ficou a escorrer baba… literalmente. Limpou-se o melhor que pode com um lencinho, enquanto ria e exclamava “Oh, how lovely, it likes me too!”
Noutro dia, a minha mãe, que era assim uma pessoa pequenina, mas adorava levar a granadlhona a passear, levou-ao ao café, como costumava, pois a Dalilah sempre adorou ir ao café e sempre se portou muito bem na esplanada. Neste café, o senhor costumava dar-lhe sempre um rissol, pois adorava ver a maneira como a gulutona engolia o rissol como se não visse comida há mais de um mês. Só que no dito dia, esqueceu-se de lhe dar o rissol. A Dalilah não fez cerimónia: entrou pelo café dentro, pôs as patas em cima do balcão e abocanhou todos os rissóis que estava numa travessa. Era o que mais faltava, não lhe darem o rissol a que ela estava habituada…
Ainda noutra ocasião, fizémos um piquenique no interior da ilha. Depois do piquenique, fomos passear em estilo corta-mato, outra coisa que a Dalilah sempre adorou fazer. Eu acabei por ficar ligeiramente para trás, por causa dos meus eternos problemas com os tornozelos fracos. A dada altura, lá um dos tornozelos cedeu e eu fiquei sentada no chão agarrada a ele. A Dalilah, que já ia bem lá à frente, sentiu que alguma coisa se passava de errado e voltou atrás. Encontrou-me e sentou-se no chão ao meu lado, aguardando pacientemente que alguém me viesse ajudar.
Mas agora tudo isto está a acabar. A minha Dalilah, a minha rica menina, a cadela mais linda e inteligente do mundo, está a morrer após doença prolongada. Depois de toda a espécie de tratamentos possíveis contra a doença que a atingiu desde o final do ano passado, a Dalilah perdeu a mobilidade na parte de trás do corpo. Não se consegue mover senão arrastando-se. Está em sofrimento. Se não fossem os remédios fortíssimos contra as dores, estaria em maior sofrimento ainda. Como último gesto de amor para com a minha grande, grande amiga, vou aos Açores no próximo fds para a levar ao vet para ser adormecida. Já não há nada a fazer. É o fim.
Adeus, minha querida menina. A dona gosta muito de ti. Para sempre.

4 Comments:
At 11:11 AM,
el_olive said…
damn ...fiquei com a lagrima no olho ...
At 1:05 PM,
Ana Oliveira said…
Pois é, acabei agora de ler a homenagem à tua linda cadela... Fiquei muito sensibilizada e triste.:( Muita força é o que te posso desejar e que a Dalilah parta em paz! Beijinhos, Ana / Princesa
At 3:48 PM,
Suspiros said…
I've been there.....Cmo eu te compreendo Marta...
Força...por muito dificil que o momento...ua menina saberá que estás lá...
Beijoca gande...*
At 4:37 PM,
Tacitus said…
Sabes como gosto dessa cadela...tenho pena que a natureza seja impalcável...para mim só boas recordações, de uma cadela que metia toda a gente bem disposta e tinha carisma...até sempre dalilah, até já marta, força...um beijo carinhoso
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